Lui / Conceito Criativo
6 indicadores econômicos que impactam a vida do empreendedor
por André Lui Bernardo

Saber interpretar esses índices permite entender o funcionamento da economia e pode fazer diferença na hora de tomar decisões.

Muitos gestores avaliam a saúde financeira da empresa e tomam decisão com base em indicadores econômicos organizacionais. No entanto, também é preciso analisar índices do mercado e do país para obter um diagnóstico completo sobre o segmento em que se atua.

Essas métricas são importantes não só para entender a economia do país, mas para realizar um bom controle orçamentário. Além disso, saber interpretá-las pode gerar vantagem competitiva.

Pensando nisso, fizemos uma lista com seis indicadores essenciais para quem quer empreender com sucesso. Não deixe de conferir!

1. Taxa Selic

Selic é a abreviação de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Esse índice é emitido pelo Governo Federal e serve de referência para instituições financeiras basearem as próprias taxas de juros para seus serviços/produtos. Logo, é a taxa básica de juros da economia brasileira.

A Taxa Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ela é uma ferramenta da política monetária do Banco Central do Brasil (Bacen), que a utiliza na regulação do mercado. Pode ser usada para controlar a inflação no país, uma vez que afeta a gestão do volume de dinheiro em circulação.

Quando é aumentada, as taxas de juros médias das instituições financeiras costumam subir também. Isso dificulta o acesso ao crédito, que encarece para o consumidor e para empresas. Por consequência, reduz-se a quantidade de moeda no mercado, o que afeta as vendas.

A organização que busca um empréstimo ou financiamento tem que ficar atenta à Selic, pois ela pode influenciar consideravelmente o custo do crédito. No site do Bacen é possível acompanhar o histórico do índice.

2. Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)

O IPCA é uma medida do preço médio necessário para adquirir um serviço ou produto. Ele é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é usado para verificar tendências de inflação.

Para obtê-lo, são analisados nove conjuntos de mercadorias/serviços:

  1. alimentação e bebidas;

  2. artigos de residência;

  3. comunicação;

  4. habitação;

  5. despesas pessoais;

  6. educação;

  7. saúde e cuidados pessoais;

  8. transportes;

  9. vestuário.

O IPCA é usado pelo governo para checar se a meta definida para a inflação está sendo alcançada. Vale destacar que o nível inflacionário é afetado por aspectos como:

–      comportamento do consumidor;

–      variação no custo de produção;

–      volume de moeda em circulação.

Por exemplo, se a inflação aumenta, pode significar que o custo médio de produção subiu, como o gasto na aquisição de matéria-prima. Também pode indicar que as pessoas estão consumindo mais. Por outro lado, um IPCA baixo pode apontar para inflação sob controle, para uma tendência de queda nas compras ou para o barateamento de custo.

3. Índice de Confiança do Pequeno e Médio Negócio (IC-PMN)

Calculado pelo Centro de Pesquisas em Estratégia do Insper em parceria com o Santander, esse indicador tem o intuito de captar a percepção de empresários de PMEs. A pesquisa é conduzida trimestralmente em todo o país, com mais de 1.200 empresários de três segmentos de atividade (comércio, indústria e serviços).

Por meio dele, é possível verificar a perspectiva do empreendedor em relação ao futuro do seu negócio, de seu setor de atuação e da própria economia. Essa expectativa pode influenciar variáveis-chave para o desenvolvimento do Brasil, como os investimentos e a geração de novos postos de trabalho.

Portanto, não deixe de conferir o IC-PMN e conhecer todos os resultados trimestrais desde 2014.

4. Endividamento da família brasileira

O grau de endividamento da família brasileira é essencial para a empresa que financia ou parcela boa parte de seus produtos. Quando ele está alto, é sinal de que mais pessoas estão se tornando inadimplentes ou acumulando dívida. Nesse caso, a organização precisa se preparar para um provável aumento no número de devedores.

Atualmente, esse indicador é medido pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em 2017, a porcentagem de famílias brasileiras com dívidas foi de 62,2%, um valor recorde.

5. Preço do dólar

Desde 1999 o Brasil adota o câmbio flutuante. A cotação de moedas estrangeiras em comparação ao real depende quase exclusivamente das leis do mercado, como a relação entre oferta e demanda. Contudo, o governo costuma interferir na cotação, adquirindo ou vendendo dólares — o que provoca escassez ou excesso da moeda.

É necessário acompanhar não só a cotação do dólar, mas as possíveis medidas do Bacen e do governo capazes de afetar o câmbio dessa moeda. Tendências mercadológicas também precisam de atenção.

O dólar alto pode favorecer a exportação, mas é ruim para quem importa. Com o tempo, o custo alto devido à elevação dessa moeda pode ser repassado à cadeia produtiva, gerando aumento de preço e inflação. Por isso é importante que a cotação do dólar seja equilibrada.

6. Produto Interno Bruto (PIB)

O PIB é a soma do valor de bens e serviços que o país produz em um intervalo de tempo, levando em consideração a indústria, a agropecuária e o setor de serviços. De forma resumida, podemos dizer que é a riqueza total da nação.

Costuma ser avaliado trimestralmente. Após fechar o ano, as informações são compiladas em um PIB anual. Quando a queda nesse indicador dura dois semestres seguidos, diz-se que a economia está em recessão técnica.

Nesse caso, a empresa precisa se preparar para enfrentar desafios como uma crise ou queda nas vendas. Por outro lado, um PIB em crescimento significa que a economia está em expansão, o que pode gerar novas oportunidades de negócio.

Boa parte desses indicadores econômicos serve de base para previsões a respeito da economia brasileira. Por isso, a sua empresa precisa acompanhá-los de perto a fim de aproveitar tendências ou evitar riscos.

Fonte: Santander